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MotoGP

Crónica: Até que ponto ‘vale’ uma corrida urbana de MotoGP?

Ao contrário do que acontece na Fórmula 1, em que há diversos Grandes Prémios em circuitos citadinos, o MotoGP não tem qualquer corrida disputada em cenários urbanos, o que pode estar prestes a mudar – esta semana, Carmelo Ezpeleta revelou que há uma proposta sólida para um GP em circuito urbano.

Embora o MotoGP não tenha provas em pistas improvisadas em estradas públicas, estas recebem outras competições. São os casos do GP de Macau (cremos que o Circuito da Guia é impraticável para o MotoGP) do TT Ilha de Man ou de campeonatos como o International Road Racing Championship. Mas até que ponto justifica, ou vale a pena, haver uma prova urbana no MotoGP?

Tendo por exemplo o GP de Macau de motociclismo, que se disputa num verdadeiro circuito urbano improvisado e não apenas em estradas públicas encerradas ao trânsito, as mortes e os acidentes graves sucedem-se com alguma frequência (ainda no ano passado houve a lamentar o falecimento de Daniel Hegarty). O histórico de fatalidades no MotoGP mostra que o circuito atualmente usado para o TT Ilha de Man e Assen (que outrora usou estradas públicas), estão no top três da lista de vítimas mortais.

GP de Macau de 2017.

Que o motociclismo é mais perigoso do que o automobilismo, na medida em que não há nada que separe o piloto das barreiras e do solo em caso de acidente, é indiscutível. E os circuitos urbanos têm o espaço entre barreiras mais limitado, com poucas (ou nenhumas…) escapatórias entre o asfalto e os muros. Por outro lado, também é indiscutível que nas quatro rodas as provas em circuitos urbanos não sejam ‘famosas’ por serem das mais emocionantes.

A verdade é que no MotoGP, sendo as motos substancialmente mais pequenas do que os carros, o potencial para corridas emocionantes num circuito urbano, ou parcialmente urbano, seria certamente grande. Por outro lado, o risco que esse espetáculo implicaria também seria substancialmente maior do que nos traçados convencionais – que também têm reclamado algumas vidas nos últimos anos, caso por exemplo de Luis Salom em Barcelona em 2016.

No entanto, tendo em conta os esforços contínuos por melhorar a segurança nos Mundiais de motociclismo, não é de crer que exista no futuro ‘luz verde’ para um projeto de circuito citadino que não reúna as condições suficientes de segurança – seria contrasensual permiti-lo numa altura em que o Circuito de Barcelona voltou a realizar mudanças substanciais na curva 13 depois do acidente fatal de Salom e das posteriores reclamações. E, sendo naturalmente possível fazer um autódromo urbano com alguma segurança, a tarefa não é certamente fácil.

Se no aspeto desportivo há prós e contras, com o potencial de corridas animadas a ‘opor-se’ aos riscos acrescidos para os pilotos, do ponto de vista financeiro pode estar um fator determinante para provas urbanas. De recordar que na Fórmula 1 atual os circuitos urbanos que existem no calendário são em territórios que pagam bem para o efeito – Mónaco, Baku (Azerbaijão), Rússia e Singapura são os grandes exemplos. Na sua entrevista, Ezpeleta falou de ‘um projeto sólido numa cidade acolhedora‘, restando interpretar em que sentido é que esse mesmo local é acolhedor – se do ponto de vista monetário, se do ponto de vista do bem receber… .

Em suma, uma corrida urbana no MotoGP teria certamente pontos de interesse, sejam desportivos, financeiros ou pelo simples facto de ser algo diferente do que estamos acostumados. Mas também teria alguns contras, ou pontos de difícil resolução – nomeadamente, a questão de dotar a infraestrutura provisória das condições ideais de segurança para que não faça vítimas mortais ou feridos graves entre o pelotão.

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