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MotoGP

Crónica – O mal amado e incompreendido Jorge Lorenzo

É um dos melhores pilotos da história. Cinco vezes campeão do mundo e candidato a um dos verdadeiros pesos pesados em 2018 no MotoGP, Jorge Lorenzo é um génio em cima da moto mas é muitas vezes visto como mais distante dos adeptos. Incompreendido até, por vezes.

O maiorquino não está neste ramo de actividade para distribuir sorrisos e sim para vencer. A sua personalidade, vincada, é conhecida mais pelo carácter introvertido que pela excentricidade. Essa foi uma faceta que teve de trabalhar no início da carreira para lidar com as exigências promocionais e com as obrigações contratuais que o seu nível exige.

Essa postura foi afastando-o dos adeptos. Jorge Lorenzo é uma estrela e adorado por milhares, atenção. Mas ao longo do tempo a imagem que transparece não foi trabalhada como acontece com outros atletas com tamanha exposição mediática. Tempos houve em que celebrou ao se atirar para o lago em Jerez, em 2010, dando sinais de um Lorenzo mais extrovertido mas certo é que essa imagem nunca colou.

O facto de à excepção deste ano, ter feito carreira longa na Yamaha, na classe rainha, não ajudou. Do outro lado da garagem esteva durante anos o piloto mais mediático da história da competição. A antítese perfeita do que é Lorenzo, Rossi é conhecido pelo sorriso fácil, por ser extrovertido e por ser acarinhado por milhões. As picardias com o italiano, o muro na garagem e outros momentos de rivalidade colocaram contra si o maior grupo de adeptos deste desporto.

Lorenzo passou a ser para muitos o choramingas, o piloto que está constantemente à procura de desculpas para justificar os seus falhanços. E do nada temos um piloto de elite mundial, um dos grandes da história, a ser constantemente enxovalhado pelo adepto de bancada.

E de forma injusta. Lorenzo é o mesmo piloto que tem cinco títulos mundiais. É o mesmo que é quinto na lista de recordes de vitórias em Grandes Prémios (65): Mick Doohan, Phil Read, Casey Stoner, John Surtees, todos eles têm menos vitórias que o ‘espartano’. É o mesmo que venceu dois mundiais de 250cc seguidos, contra pilotos como Andrea Dovizioso ou Marco Simoncelli. Tem mais títulos na classe rainha que lendas como Barry Sheene, Freddie Spencer ou Kevin Schwantz, por exemplo.

Continua a ser quem aguentou a pressão do muro de Rossi na garagem da Yamaha, e quem venceu o MotoGP em 2010 com o máximo de pontos até esse momento. É o mesmo atleta que, desde que chegou ao MotoGP, nunca esteve mais de dois anos sem vencer o mundial. O feito mais recente à escala global chegou em 2015, quando partindo de trás, conseguiu ir ganhando terreno a Valentino Rossi e no final foi campeão. O facto de ter roubado a Rossi a possibilidade do décimo mundial também não ajudou aos índices de popularidade do espanhol.

Lorenzo continua a ter um perfil sisudo…mas ao mesmo tempo trabalhador. Exigente como poucos, Lorenzo procura a perfeição e tenta-a no seu máximo, exigindo o mesmo a quem o rodeia. Quando tem uma moto à altura, e mostrou-o na Yamaha, é imbatível. Um verdadeiro relógio suíço. Foge na frente e nunca mais os rivais o conseguem acompanhar. Vimos isto tantas vezes…a sua condução é suave, precisa e, acima de tudo, letal para os rivais.

A dimensão do seu talento é comparável à dos grandes mestres da modalidade, mesmo que a sua personalidade nem sempre seja a do piloto extrovertido de que as massas tanto gostam. Foi gozado pelo desempenho à chuva mas este ano já mostrou que sabe o faz, e numa moto nova.

Este é o mesmo Lorenzo que, tal como Rossi, teve a coragem de deixar uma moto e equipa vencedoras para se lançar num desafio só ao alcance dos grandes pilotos da história. E se em 2017 já deu sinais de poder rodar entre os de topo…2018 promete. E o mal amado Lorenzo pode bem ser a surpresa da temporada.

Crónica – O mal amado e incompreendido Jorge Lorenzo
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