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Moto2

Crónica: Miguel Oliveira no lugar de Folger? Porque faz sentido…e não

Créditos: AJO Motorsport

Jonas Folger surpreendeu o mundo ao afirmar que não tem as condições de saúde ideais para competir no MotoGP, optando por se retirar do ativo, deixando Hervé Poncharal, patrão da Monster Yamaha Tech3, com um problema nas mãos por resolver.

Numa primeira análise os nomes a ter em conta são aqueles a que recorreu a equipa no ano passado aquando da ausência de Jonas Folger: Broc Parkes, Michael Van der Mark e Kohta Nozane. A equipa de fábrica também colocou Katsuyuki Nakasuga, piloto de testes, em pista, e poderá também ser uma opção…mas em causa não está um ou dois wildcard e sim uma temporada – no mínimo – a tempo inteiro. Estes foram nomes escolhidos para ‘desenrascar’ mas uma temporada com 18 corridas é outra história e a metodologia de escolha da Tech3 pode ser outra.

Porque faz sentido apostar em Miguel Oliveira?

Em 2017 a estrutura com sede em Bormes-les-Mimosas, no sudeste de França, mudou o modus operandi e apostou em duas caras novas: Johann Zarco e Jonas Folger, dois rookies na classe rainha e ambos vindos da classe intermédia. Os resultados, esses, ficaram à vista, com três pódios. Desta forma faz sentido que Poncharal queira pescar um talento em Moto2.

Em 2017 os dois melhores da categoria assinaram com a Marc VDS e já têm lugar garantido entre a elite. Na tabela do mundial de 2017 surge imediatamente a seguir Miguel Oliveira como terceiro melhor do ano. Três vitórias e outros seis pódios, além de vários top cinco, são resultados que já deixaram outras equipas do MotoGP atentas ao português…e melhores do que o que Folger fez em 2016, antes de assinar pela Tech3…

Uma contratação de Miguel Oliveira pode pode ser ainda uma jogada de mestre, pois daqui a poucos meses todas as equipas vão rever as suas situações para 2019, uma vez que a grande maioria tem os contratos dos seus pilotos a chegar ao fim precisamente este ano. Desta forma a Tech3 garantia já um talento absoluto numa fase em que Miguel Oliveira é vítima de um assédio ligeiro, antes do ataque das grandes equipas.

Outro motivo que faz sentido é o facto de o último piloto que foram buscar a uma equipa liderada por Aki Ajo ter sido um sucesso: Johann Zarco. O luso herdou parte da equipa do gaulês e se Zarco chegou, viu e…conseguiu pódios na classe maior, e não há motivos para não acreditar que Miguel Oliveira não possa ter o mesmo sucesso.

Do ponto de vista do piloto, desconhecendo obviamente a posição do português sobre esta possibilidade, esta mudança seria, antes de mais, o concretizar de um objetivo: chegar à classe rainha, uma meta que o almadense já assumiu várias vezes ter…e numa estrutura que em 2017 viu os seus pilotos três vezes no pódio. A moto é competitiva, isto é inegável, e no ano passado chegou mesmo a ‘envergonhar’ os pilotos de fábrica em pista.

Oliveira já foi abordado, mais que uma vez, para rumar ao MotoGP, mas como o próprio já revelou, teria de ser para uma equipa que lhe permitisse crescer e não para rodar no fundo do pelotão. Olhando para os resultados dos dois rookies da Tech3 em 2017, a equipa de Poncharal seria uma boa aposta.

A M1. O protótipo da Yamaha é conhecido pelo seu equilíbrio geral e por ser uma máquina mais fácil de domar, digamos, que a Honda RC213V ou a Desmosedici GP, por exemplo. O tempo de adaptação à nova classe poderia ser minimizado caso a estreia fosse feita numa máquina menos complexa de se pilotar como as citadas.

A proximidade com a Yamaha de fábrica. Miguel Oliveira já disse no passado que competir ao lado de Valentino Rossi seria um sonho…e neste exercício opinativo faria sentido apostar numa equipa satélite que está ligada à estrutura do italiano desde 2001, como rampa de lançamento para, quem sabe, um dia chegar à estrutura de fábrica.

Porque não faz sentido que o português rume à Tech3?

Antes de mais, o objetivo de lutar pelo título. Oliveira vem de uma das suas melhores temporadas de sempre e tem oportunidades reais de ser campeão ou de pelo menos batalhar pelo cetro mundial já este ano. Depois de um 2017 à descoberta e com resultados brilhantes, não faz sentido deitar fora o trabalho feito e desperdiçar a oportunidade de sonho que tem esta temporada. Em equipa que ganha não se mexe e Miguel Oliveira e a KTM são unha com carne neste momento…o que nos leva ao próximo ponto.

O português a KTM juntos são uma parceria de sucesso. Foram-no em 2015 com seis vitórias, três pódios e uma pole, e repetiu a dose de sucesso em 2017: três vitórias e outros seis pódios falam por si. Sair para recomeçar uma parceria do zero pode ser um passo atrás numa senda que se pretende ser ainda mais vitoriosa…de preferência com sabor a título mundial.

A Tech3 apostou em dois novatos em 2017 e deu-se bem, mas cada ano é um ano e cada piloto é um piloto. Ninguém esperava o sucesso tão forte de Zarco logo na estreia e menos ainda de Folger. Correr novos riscos com um rookie pode não fazer muito sentido, ainda para mais um cujo sucesso em 2017 o fez subir de cotação nas equipas classe rainha, com as equipas de fábrica à cabeça. Um raio cair no mesmo sítio duas vezes é, afinal, quase impossível…

Outro motivo menos favorável a esta eventual mudança prende-se com as possibilidades futuras que a Tech3 lhe pode dar e que a KTM potencia. Como equipa de fábrica, a KTM disponibiliza outro tipo de possibilidades que a Tech3 nunca poderá igualar, por ser satélite. Nem a KTM quererá perder o seu ganha-pão em  pista em 2017, um piloto que é muito mais que alguém que luta por resultados.

Uma marca ambiciosa como a austríaca não quer perder o luso de vista, sabendo que tem um protótipo de MotoGP para desenvolver. Tal como Zarco chegou, depois de se saber que não ia continuar com Aki Ajo, a testar a KTM que este ano se estreou em Moto2, a KTM quererá aproveitar o talento de Miguel Oliveira para potenciar o desenvolvimento da máquina com o propulsor Triumph, mesmo que de forma ténue, antes de uma eventual mudança do luso para a classe maior.

Chegar ao MotoGP numa equipa de fábrica é uma das ambições do português. Depois da KTM negar interesse em investir milhões na contratação de um piloto como Marc Márquez, a aposta em Miguel Oliveira para o MotoGP é mais que previsível, bastando ao luso esperar pela sua hora. Em 2017 já testou a RC16…uma demonstração de confiança no #44 e um prémio merecido. Além disso não nos esqueçamos do crescimento dos austríacos na classe rainha este ano. Imagine-se a evolução da máquina em 2019, já com dois anos de trabalho feito por Pol Espargaró e Bradley Smith. Com o talento que tem a desenvolver máquinas, Miguel Oliveira é uma mais-valia que a KTM quer aproveitar para o futuro e potenciar o seu protótipo no MotoGP.

Por último, a questão Valentino Rossi – Tech3. Recentemente Hervé Poncharal revelou que foi o próprio departamento competitivo da KTM a dizer-lhe que preferia uma equipa satélite liderada por Rossi caso este aposte nessa vertente após se retirar. A confirmar-se esse cenário, indo para a Tech3 Oliveira corria o risco de perder a ligação à fábrica da Yamaha.

Conclusão

O futuro ninguém o sabe, claro, sendo este um exercício meramente opinativo dos prós e contras de uma potencial ida de Miguel Oliveira para a Tech3, para o lugar de Jonas Folger. Mas uma coisa é certa, se a Tech3 estiver de facto interessada no português, este tem forte motivos para não aceitar e outros tantos para assumir o novo desafio…e o português sempre foi muito inteligente na hora de gerir o que é melhor para si. Certo é que há riscos dos dois lados…e vantagens.

Crónica: Miguel Oliveira no lugar de Folger? Porque faz sentido…e não
1 Comment

1 Comment

  1. KAKASHI

    19 Janeiro, 2018 at 1:06

    Ficar na KTM seria a melhor aposta. A KTM quer o Oliveira na MotoGP, provavelmente em 2019.
    Dizem que ‘quem espera sempre alcança’, então ele que fique. Não tenha pressa de subir de categoria, pois a ‘pressa é inimiga da perfeição’!

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