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MotoGP

Crónica: MotoGP ignora WSBK, o novo cemitério da elite?

Exactamente um ano depois, Jonathan Rea voltou a ser falado devido ao facto de ser mais veloz em testes do que pilotos da classe rainha. As comparações não demoraram a surgir, mas uma coisa parece evidente: os tempos em que o MotoGP estava atento ao WSBK parecem estar longe…e os pilotos agora fazem o percurso inverso, da classe rainha para o WSBK.

Rea tem três mundiais consecutivos no WSBK e se chegou a haver interesse de equipas do MotoGP nos seus serviços, não se chegou a saber. Tanto quanto é do conhecimento público, nenhuma equipa esteve interessada em Rea. Há alguns anos seria difícil imaginar isto. Colin Edwards, Ben Spies e Cal Crutchlow, por exemplo, chegaram ao MotoGP vindos do WSBK, porque as equipas da classe rainha valorizavam aquele mundial e iam lá procurar talento.

As equipas da classe rainha optam agora por estar mais atentas ao Moto2. Nas últimas três épocas houve nove estreantes no MotoGP, dos quais apenas dois vieram do WSBK, ambos em 2015: Eugene Laverty e Loris Baz. Um outro veio do WSBK para o MotoGP, depois de fazer o percurso contrário: Karel Abraham. Os restantes vieram do Moto2, à excepção de Jack Miller, que veio directamente do Moto3: Maverick Viñales, Sam Lowes, Alex Rins, Jonas Folger, Johann Zarco e Tito Rabat. Olhando para 2018, haverá quatro rookies, todos eles vindos do Moto2: Franco Morbidelli, Tom Luthi, Takaaki Nakagami e Xavier Simeón…ou seja, há dois anos que nenhum piloto do WSBK se estreia no MotoGP.

Este interesse acrescido no Moto2 é explicado pelo director desportivo da Ducati, Paolo Ciabatti: ‘É mais fácil acompanharmos os pilotos jovens deste campeonato.’ Lin Jarvis, da Yamaha, concorda: ‘Os talentos que chegam à classe rainha vêm do Moto2 e do Moto3, as Superbikes são uma excepção.’

O paradigma parece ter mudado. Esta parece não só ser uma realidade caída em desuso, como ocorre ainda outro fenómeno paralelo: os pilotos do WSBK não têm chegado ao MotoGP, mas o inverso tem acontecido e com frequência.

Nas últimas três temporadas foram vários os casos de pilotos que deixaram o MotoGP para rumar ao WSBK. Na maioria tratam-se de pilotos que não conseguiram ficar na classe rainha e tiveram de se contentar com as Superbikes…algo que não abona a favor de um campeonato que se quer competitivo e próximo do MotoGP: Alex de Angelis, Karel Abraham, Nicky Hayden, Stefan Bradl, Eugene Laverty e para 2018, Loris Baz. Por este motivo há quem já defenda que o WSBK é o mundial para quem não consegue chegar ao MotoGP ou para quem já não consegue lugar na classe rainha. Um campeonato onde a elite vai gozar os anos finais de carreira, dizem alguns…uma espécie de cemitério de talentos.

As diferenças entre as séries MotoGP e WSBK começam a ser tantas que já há pilotos que, não conseguindo ficar no MotoGP, preferem rumar ao Moto2 do que ir para o WSBK. Foram os casos de Yonny Hernandez e agora de Sam Lowes e Hector Barberá, por exemplo.

Os tempos estão a mudar, como sempre. A falta de competitividade no WSBK, exceptuando Jonathan Rea, Tom Sykes e Chaz Davies, tem gerado preocupação na Dorna. Mas esta relação curiosa entre o WSBK e o MotoGP também deve servir de alerta para a distância cada vez maior entre as séries.

Uma coisa é certa, enquanto o MotoGP rouba protagonismo à Fórmula 1 como principal desporto motorizado, o WSBK parece cair cada vez mais no esquecimento das massas.

Crónica: MotoGP ignora WSBK, o novo cemitério da elite?
1 Comment

1 Comment

  1. Daniel barbosa

    30 Novembro, 2017 at 13:59

    Bom artigo. Spot on infelizmente.

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