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MotoGP

Crónica: A rivalidade adormecida de Miguel Oliveira e Maverick Viñales (parte 2)

Créditos: CEV Buckler

Se em 2009 a rivalidade entre Miguel Oliveira e Maverick Viñales originou duelos interessantes, em 2010 essa rivalidade explodiu. Agora em equipas distintas, os jovens batalharam até final da temporada pelo triunfo no CEV na classe 125GP, também o campeonato europeu da classe.

Fique agora com o resumo da temporada de 2010 no CEV entre estes dois enormes talentos do motociclismo mundial.

2010 – O acentuar de uma rivalidade: separados por apenas dois pontos

A época de 2010 chegava e com ela Viñales e Oliveira mais experientes. O espanhol estava na Hune Racing Team e o lusitano na Andalucia Cajasol.  Além disso o campeonato conhecia novas caras, muitas delas agora no mundial: Alex Rins, Alex Márquez, Niccolò Antonelli, Jorge Navarro, Jack Miller, Philipp Oettl ou Danny Kent, por exemplo…mas mais uma vez os protagonistas seriam Oliveira e Viñales.

  • Primeira jornada – Catalunha

Viñales conseguia a pole position e o português não ia além do 11.º lugar, mas o talento do luso viria ao de cima durante a corrida. O vencedor seria Rins, com quase cinco segundos de vantagem sobre o segundo. Miguel Oliveira subiu ao segundo lugar do pódio, após vencer o duelo pelo lugar com Viñales…por 0.101 segundos.

  • Segunda jornada – Albacete

Mais uma vez a pole ia para o agora companheiro de Valentino Rossi na Yamaha e Oliveira era segundo, depois de ser mais de um segundo mais lento na qualificação, partindo do 11.º lugar. Mas o almadense é um ‘animal de pista’ e é aí que o seu talento flui, como se iria ver na corrida.

Créditos: David Clares Pozo

Na segunda volta Oliveira subia para sétimo e Viñales era segundo, atrás de Alessandro Tonucci. Na quinta volta Viñales assumia a liderança e Oliveira era quinto. A recuperação começou aí. Deixou o primo de Maverick, Isaac Viñales, para trás, e chegou a quarto. Na décima volta chegava a segundo quando Maverick tinha ganho muito terreno na frente. Isso não fez Oliveira baixar os braços, acabando em segundo a quase 3.5 segundos do espanhol. Viñales vencia mas o nosso Miguel mas era mais veloz, ao ser dono da volta mais rápida da corrida.

  • Terceira jornada – Jerez

No primeiro treino Oliveira ficou em segundo, atrás apenas de…adivinhou, Maverick Viñales, e na qualificação partiu do terceiro lugar da grelha, com Viñales em primeiro e Rins em segundo.

Na quarta volta da corrida, Oliveira fez a volta mais veloz da prova, e acabou em primeiro quase com quatro segundos a mais que Rins, segundo. Viñales foi terceiro. Nas bancadas estavam 16 mil pessoas a assistir ao primeiro triunfo de Oliveira no CEV. Oliveira era o novo líder do campeonato, com mais oito pontos que Viñales e mais dez que Rins.

Créditos: CEV Buckler

Para melhor se entender esta rivalidade, observe-se o registo de melhores voltas rápidas nesta corrida, um exemplo do que aconteceu todo o ano:

  • Quarta jornada – Aragão

Rins, Viñales e Oliveira, assim estava a ordem da grelha, com o luso três décimas mais lento na qualificação face ao rival com o número 25.

Esta é uma das provas que gostávamos de ter acesso em vídeo. Viñales assumiu logo o primeiro lugar na primeira volta. Na segunda Oliveira deixou Rins para trás e lançou-se na perseguição ao número 25. O duelo entre ambos foi intenso e à passagem da décima volta, o português liderava a corrida.

Na penúltima volta Viñales ripostou e passou para a frente, mas Oliveira ainda não tinha tido a última palavra, assumindo a liderança na última volta. O final de prova foi feito lado a lado, com o português a vencer por 0.004 segundos!

O título parecia bem encaminhado, com Oliveira com mais 13 pontos que o segundo, Maverick Viñales.

  • Quinta jornada – Albacete

Esta seria a ronda em que Miguel Oliveira ficava sem a possibilidade de chegar ao título, e devido a um infortúnio incrível. Oliveira estava em grande forma e Viñales também, com o espanhol a ser apenas 0,063 segundos mais veloz, garantindo a pole position.

Um arranque tímido de Oliveira fê-lo completar a primeira volta em quinto, mas à passagem da terceira volta, Oliveira já era segundo, perseguindo o líder Viñales. O português estava em posição de vencer a corrida quando na penúltima volta o azar bateu à porta do jovem de 14 anos: sofreu uma queda quando estava a dar uma volta de avanço a um piloto retardatário. O adversário terá sido menos cauteloso e fechou a trajectória ao piloto português, causando a sua queda.

  • Sexta jornada – Valência

O desaire em Albacete complicava as contas, mas Miguel Oliveira não se dava por vencido. O adolescente arrasava no segundo treino de qualificação e deixava o segundo a mais de sete décimas.

Oliveira perdia a liderança da corrida para Viñales mas na quarta volta ripostou, ultrapassou Viñales e não mais olhou para trás. Liderou desde então todas as voltas da prova e acabou com 5.7 segundos de vantagem sobre o número 25! O domínio do luso foi por demais evidente e Viñales mais não conseguiu fazer do que levar para casa o segundo lugar…ciente de que estava na liderança do campeonato e que faltava uma corrida para o fim do campeonato.

Créditos: CEV Buckler

Com este resultado Miguel Oliveira conseguiu a terceira vitória da temporada já na Aprilia RSA com que iria disputar o mundial de 125cc no ano seguinte. Ficou cinco pontos mais perto de Viñales, a sete do líder. O título estava adiado para Jerez e Oliveira estava na luta.

  • Sétima jornada – Jerez

A caravana regressava a Jerez, onde Oliveira tinha conseguido o primeiro triunfo do ano, na terceira ronda. Viñales era o líder do mundial com mais sete pontos que o português e mais 15 que Rins. O segundo lugar bastava a Viñales para ser campeão mesmo que Oliveira vencesse. Ainda assim, na última visita a Jerez, Oliveira tinha vencido e Viñales sido terceiro. A repetir-se a história, o título seria de Miguel Oliveira.

No primeiro treino, onde estava no Grupo B (Viñales estava no A), o luso foi primeiro com um segundo de avanço sobre Johnny Rosell, seu antigo companheiro de equipa. Foi com esse tempo que o almadense venceu o grupo, enquanto Viñales não foi além de terceiro no seu grupo.

Assim ficaram as três primeiras linhas da grelha de partida:

Niklas Ajo teve um melhor arranque e Oliveira completou a primeira volta em segundo, mas logo a seguir assumiu a liderança e o que se assistiu foi um domínio total e absoluto da corrida. Pole position, volta mais rápida e vitória.

Liderou as últimas 15 voltas e de um total de 16 e venceu. Bastava-lhe que Viñales acabasse em terceiro ou pior e era campeão…mas o espanhol foi segundo e ergueu o troféu final. Acabou a corrida 11.04 segundos depois de Miguel Oliveira, mas aquela prova em Albacete acabaria por ser determinante.

Créditos: David Palmero/CEV Buckler

Miguel Oliveira fez tudo o que podia. Venceu quatro de sete corridas, mas acabou com menos dois pontos que Viñales.

Dados: FIM Cev Repsol

E agora?

As oportunidades de um e outro piloto moldaram os seus caminhos. Oliveira revelou que o espanhol teve outro tipo de oportunidades, sem esquecer que a cor da bandeira ‘pode’ ter tido o seu peso, como analisámos aqui. Viñales é uma estrela mundial e partilha a garagem com Valentino Rossi numa das melhores e mais poderosas equipa de fábrica no paddock. É, com Marc Márquez, tido como o futuro da classe.

Já Miguel Oliveira está numa fábrica ambiciosa e que tem crescido a olhos vistos apenas num ano. 2019 está já ali ao lado e o português prepara o salto para a classe rainha. Os resultados deste ano serão determinantes nesse sentido, mas o #44 não irá para uma equipa sem ambições…e já salientou que poderá ser a KTM mas ao mesmo tempo pode não ser.

O futuro está aí ao virar da esquina e Oliveira tem o mundo aos seus pés. O reencontro entre o luso e Viñales deve estar marcado para breve…e aí poderemos assistir a novos capítulos desta rivalidade de titãs.

Crónica: A rivalidade adormecida de Miguel Oliveira e Maverick Viñales (parte 2)
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