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MotoGP

Crónica: Sam Lowes no MotoGP, uma oportunidade perdida – para ele e para a Aprilia

Todo o piloto que compete em velocidade desde tenra idade sonha com um objectivo: chegar à classe rainha. Este é, por definição, o topo dos topos, e não há jovem que não sonhe com esta possibilidade. Sam Lowes conseguiu concretizar o sonho esta temporada, mas o seu sucesso ficou minado por um número de situações que resultaram no seu afastamento após uma temporada.

O que falhou? O piloto? A equipa? Ambos? Será sempre um fracasso de ambos, mas quem mais perdeu foi a Aprillia.

Lowes surgiu ao mais alto nível em 2009 no campeonato britânico de Superbikes, conquistando o título no ano seguinte e dando o salto para o mundial da categoria logo a seguir. Terceiro em 2012, o britânico era campeão do mundo em 2013. Em 2014 estava na classe intermédia do mundial, sem dar nas vistas, mas no segundo ano conseguiu três poles, cinco pódios e uma vitória, posicionando-se para mais uma cavalgada pelo título no ano seguinte. Cinco poles, seis pódios e dois triunfos mostravam o seu crescimento em 2016 mas a irregularidade em pista – não acabou seis provas – fê-lo perder  a corrida pelo título, acabando o mundial em quinto…mas já com o contrato assinado com a Aprilia.

Assim chegava o piloto à classe rainha, numa ascensão meteórica e para chegar a uma moto em desenvolvimento. A Aprilia perdia Stefan Bradl e Álvaro Bautista para se focar numa fase de desenvolvimento diferente. O trabalho para melhorar a moto começava quase do zero e com dois pilotos estreantes na máquina de Noale: Sam Lowes, um novato, e um veterano na classe rainha, Aleix Espargaró.

O espanhol conseguiu tirar proveito da RS-GP de uma forma que Lowes nunca conseguiu, e a ajuda para melhorar era quase inexistente pois o foco da fábrica estava em melhorar a moto…e isso era algo que Aleix Espargaró dava com mais facilidade. Combinando isso com o desempenho em pista, Lowes depressa passou a ser o “patinho feio” na Aprilia, tenho muitas dificuldades para sair dos últimos lugares nas corridas e nos treinos livres, por exemplo.

A aposta não correu bem para o piloto e para a equipa, mas quem mais perdeu com este fracasso foi mesmo a fábrica de Noale. Lowes não tinha “mãos” para a máquina italiana e parecia estar sozinho na luta para melhorar. Os patrões da Aprilia, impacientes, não quiseram esperar pelo crescimento de Lowes e surpreenderam ao anunciar que o seu contrato não seria renovado e que em 2018 teria de procurar novo poleiro, dados confirmados pelo manager da equipa, Romano Albesiano. A ordem vinha do Piaggio Group.

A notícia apanhava de surpresa piloto e companheiros, com muitos, como Crutchlow, a condenarem a atitude dos italianos. São raros os rookies que conhecem o doce sabor do sucesso na época de estreia, muito menos um que vá para a Aprilia, uma moto que mal competitiva era quando tinha Lowes no seus quadros. Mais ainda: além de ser uma máquina em desenvolvimento, era uma máquina que tinha acabado de iniciar uma nova fase de desenvolvimento.

Era óbvio que Lowes tinha as mãos atadas e mais não se lhe podia exigir… O facto de o companheiro ter conseguido bons resultados, incluindo sete top dez, não ajudou Lowes, mas não nos podemos esquecer que Espargaró tem anos de experiência na classe rainha e conhecimento avançado a desenvolver motos, como tinha feito com a Suzuki nos anos anteriores à ida para a Aprilia.

Lowes viu uma oportunidade esfumar-se mas o “ano zero”, de aprendizagem no MotoGP ninguém lho tira. Já a Aprilia assina com outro Scott Redding, mais experiente, mas na mesma sem histórico a desenvolver máquinas na classe rainha. Não seria melhor manter Lowes, um piloto em teoria mais barato e já com um ano de experiência na moto? Se apostou nele como novato, fazia sentido manter a fé nele e após um ano, exigir outro tipo de desempenho.

Lowes ganhou um ano de experiência na classe rainha enquanto a Aprilia perdeu tempo crucial no desenvolvimento da sua RS-GP. O piloto regressa ao Moto2 e com uma moto que deu nas vistas nas mãos de Miguel Oliveira e Brad Binder. Se fizer o que tão bem sabe, e que já demonstrou, Lowes facilmente é um dos pilotos com mais possibilidades de poder dar o salto…outra vez.

Já a Aprilia não ficou bem na fotografia com o tratamento dado ao piloto…

Crónica: Sam Lowes no MotoGP, uma oportunidade perdida – para ele e para a Aprilia
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